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Afroturismo como forma de fortalecer a inclusão e a igualdade racial

A palestra realizada no Festuris foi marcada pela apresentação do Programa Rotas Negras, que busca fortalecer o setor como ferramenta de promoção da igualdade racial

Nesta 37ª edição do Festuris - Festival Internacional de Turismo de Gramado, o Espaço LGBT+ iniciou uma transição para Espaço Diversidade. A alteração amplia e se abre para debater diferentes formas de turismo inclusivo, como o afroturismo, que foi tema da palestra Afroturismo em Pauta.

O encontro foi conduzido por Fabiana Oliveira, Coordenadora-Geral de Produtos e Experiências Turísticas do Ministério do Turismo, e contou com a participação de Isadora Bispo, Diretora de Articulação Interfederativa do Ministério da Igualdade Racial, e Natália Oliveira, Consultora Embratur/CAF. Com plateia lotada, o trio trouxe história, projetos e desejo de futuro.

O momento foi marcado pela apresentação do Programa Rotas Negras, que busca fortalecer o setor como ferramenta de promoção da igualdade racial.

Isadora fez um resgate histórico e falou sobre estruturação e mudanças de cenários. "Quando temos um Ministério que ele é pensado com a política voltada para a promoção da igualdade racial, não é à toa, estamos num cenário de um Brasil que toda perspectiva de vulnerabilidade, exclusão, de escanteamento, historicamente falando, vem impactar na população negra. Falar de história é a primeira dimensão para entender nosso presente. Enquanto mulher negra, vamos ter que ir e vir na nossa ancestralidade, na busca e na luta do nosso povo", coloca.

Com "estereótipos cristalizados", a diretora destaca que, em uma sociedade brasileira com mais de 55% negra e que o índice de maior vulnerabilidade é entre a população, o afroturismo vem para fazer uma reparação. "Descolonizar o que vem do colonial", afirma, e completa que o "programa vem para enfrentar o problema central, que é o racismo".

Fabiana fala da importância de abordar o tema, não apenas pela igualdade racial, mas pelo ponto de vista do turismo, a partir do programa lançado. "Ter um espaço aqui dedicado ao afroturismo, onde podemos posicionar o programa dentro desse mercado do Rio Grande do Sul, da América Latina, estamos num mercado com uma cultura europeia muito valorizada, muito fortificada. Mas o que queremos é transformar o Brasil nesse país em que a gente possa valorizar nossa história negra", pontua.

"Não é fácil trabalhar com outros pares para criar uma política pública. Em 2024, quando fomos elaborar as premissas e diretrizes do programa, percebemos que a primeira coisa é que não tínhamos conceito de afroturismo. E isso era muito importante, para podermos situar os Estados e municípios", complementa.

De acordo com Fabiana, a ideia do Rotas Negras é valorizar a cultura, patrimônios e saberes, conectando pessoas à história de contribuição da população afrodescendente no mundo.

Texto e fotos: Festuris/Divulgação

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